
Um novo olhar para a Liderança Humanizada.
Por Wellington Borzani
Questões subjetivas, estão sendo o centro do debate quando o tema é Liderança Humanizada. Nosso antigo RH, passa a ter um nome muito mais adequado:
Gestão de Pessoas.
Dentro desse conceito o Google em 2011 teve a ideia de construir um “time perfeito”, mais produtivo, com mais interdependência, com melhor comunicação e sem medo de assumir riscos, foi aí que nasceu o projeto Aristóteles.
Entre os maiores e mais básicos medos do ser humano, o medo da Crítica se destaca, que nada mais é, do que o medo de não ser aceito, ou fazendo referência a Freud, medo de não ser o objeto de desejo do outro. Um outro medo muito grande do ser humano está em enfrentar a frustração. Ah, e não podemos esquecer, o medo de falar em público que ainda está entre os top 5.
Na visão psicanalítica, uma equipe é um grupo de seres humanos que irão projetar seus conteúdos psíquicos uns nos outros o tempo todo. Traumas, medos, desejos, identificação e outros. E é óbvio que tais conteúdos irão, inevitavelmente, gerar conflitos. E os conflitos são positivos, são maneiras de gerar interações e provocações construtivas, autorizar vozes e estabelecer canais de comunicação, para promover uma elaboração de questões, ou se preferir, no corporativo, chegar a um resultado excelente. Tal conflito estimula a autoconfiança e autoriza os membros do grupo a assumir riscos.
Mas e quando a liderança falha em oferecer a esse time um espaço que favoreça esses conflitos positivos?
E quando esses conflitos passam a ser conflitos castradores de ideias e proatividade, silenciadores de vozes e opiniões?
O espaço hostil e autoritário promove uma baixa autoestima nos membros, desautorizando-os a assumir riscos, exercitar a criatividade, compartilhar opiniões, transformando profissionais de alta-performance em profissionais medíocres, realizando mais do mesmo, agindo somente conforme as regras e procedimentos estabelecidas, seguindo protocolos que levarão o time a atingir um resultado médio e “seguro”.
O Projeto Aristóteles concluiu que as características que definiriam uma equipe de sucesso seriam:
- Segurança Psicológica
- Confiabilidade
- Estrutura e Clareza
- Significado do trabalho
- Impacto do trabalho
De todos os ítens, a Segurança Psicológica é o mais importante, pois sem ela, os próximos itens tornam-se inviáveis.
Segurança Psicológica. A nomenclatura por si só é causadora de testas franzidas e olhares de estranhamento e uma atitude de repulsão de líderes que ainda não estão familiarizados com o tema.
“Mais um programa de RH?” Muitos irão pensar.
Na verdade, não é algo que uma Liderança Humanizada deveria temer, pois embora o conceito possa ser subjetivo, ele tem uma relação direta e concreta com a produtividade e o sucesso da equipe.
O termo “safe space”(espaço seguro), muito usado em programas de terapia, sugere um espaço livre de julgamento moral e de valor, para que os indivíduos possam se expressar livremente.
De acordo com os estudos do projeto Aristóteles, o primeiro passo para a criação de uma equipe de sucesso, é a Segurança Psicológica, que trata-se da criação de um “safe space”, que promova uma maior liberdade nos membros da equipe para que possam expressar sua criatividade, suas opiniões, suas vulnerabilidades e seus conflitos, sem medo de julgamentos, críticas severas e punições, nem por parte de sua liderança e muito menos por parte de seus colegas, criando assim, uma equipe forte com sólida interdependência e autorizada a assumir riscos em busca de um resultado excelente.
Cabe ao líder, ao assumir um programa como o Aristóteles, em primeiro lugar, entender a importância do seu comprometimento e compromisso pessoal com o grupo. Seu exemplo com atitudes que demonstrem vulnerabilidade, acessibilidade e comunicação, será a essência para o sucesso desse programa.
Ao oferecer a Segurança psicológica, permitindo que os membros se sintam confortáveis em criar discussões, possibilita que os mesmos assumam riscos interpessoais. O nível de confiança entre os colegas promove uma maior assertividade quanto a prazos e qualidade. A comunicação clara e estruturada auxilia a equipe no estabelecimento e alcance das Metas. O senso de significado se faz presente tanto no propósito individual, quanto nos propósitos da equipe. E a equipe como um todo reconhece que produz impacto na empresa.
Indiscutivelmente, Segurança psicológica é o “presente-futuro” das Equipes de Sucesso que queiram impactar ainda mais em suas empresas.